Desde 24 de maio de 2026, o transporte rodoviário de cargas brasileiro passou a operar sob uma nova realidade.
Com a entrada em vigor das novas regras do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) , o registro passou a ser obrigatório para as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas, independentemente de o transportador contratado ser ETC, CTC ou TAC, observadas as exceções previstas na regulamentação. Antes, a obrigatoriedade estava concentrada principalmente nas contratações de transportadores autônomos e equiparados.
O impacto foi imediato.
Entre 24 e 29 de maio, apenas nos primeiros dias da nova sistemática, a ANTT registrou 534.908 emissões de CIOT em todo o país.
Mas, para transportadoras e embarcadores, a mudança representa algo maior do que mais uma obrigação regulatória.
Ela reforça uma transformação que já está acontecendo na logística:
as operações estão se tornando cada vez mais registradas, estruturadas e rastreáveis.
O CIOT resolve a rastreabilidade regulatória. Mas e a rastreabilidade da operação?
Existe uma diferença importante.
O CIOT é um registro regulatório perante a ANTT. Ele não substitui documentos fiscais como CT-e, MDF-e ou nota fiscal, nem o contrato entre as partes.
Da mesma forma, registrar corretamente uma operação não significa, sozinho, conseguir acompanhá-la no dia a dia.
Depois que o veículo sai, surgem outras perguntas:
Onde está a carga agora?
Qual motorista está realizando determinada rota?
Quais entregas já foram concluídas?
Houve alguma ocorrência durante o trajeto?
O planejamento foi cumprido?
Existe um comprovante da entrega realizada?
Quais operações estão atrasadas?
É aqui que a discussão sobre rastreabilidade deixa de ser exclusivamente regulatória e passa a ser também operacional.
Uma empresa pode estar com sua documentação regularizada e, ainda assim, possuir pouca visibilidade sobre o que acontece entre a expedição e a entrega.
O problema dos dados espalhados
Em muitas operações, as informações necessárias para responder a essas perguntas estão fragmentadas.
Uma parte está no ERP.
Outra no TMS.
O planejamento pode estar em uma planilha.
A localização depende de outro sistema.
Uma ocorrência chega pelo WhatsApp.
O comprovante fica com o motorista.
E, para entender o que realmente aconteceu, o gestor precisa juntar manualmente diferentes pedaços da operação.
Quanto maior o número de veículos, motoristas, terceiros, coletas e entregas, mais difícil essa estrutura se torna.
A consequência é um paradoxo:
a empresa possui muitos dados, mas pouca visibilidade.
A evolução da rastreabilidade no transporte torna esse problema ainda mais evidente.
Se contratante, transportador, veículo, origem e destino já precisam estar corretamente estruturados para atender às exigências regulatórias, faz cada vez menos sentido que a execução da operação continue dependendo de informações dispersas e processos manuais.
Rastreabilidade precisa continuar depois que o veículo sai
Uma gestão logística madura precisa conseguir conectar aquilo que foi planejado com aquilo que realmente aconteceu.
Isso envolve acompanhar veículos, motoristas, rotas, entregas, ocorrências e resultados da operação.
Mais do que perguntar se uma entrega foi concluída, o gestor precisa conseguir entender:
- se aconteceu dentro do prazo;
- se houve desvio durante a execução;
- quais ocorrências foram registradas;
- onde existem gargalos recorrentes;
- quais rotas apresentam pior desempenho;
- e se o nível de serviço prometido está sendo cumprido.
É essa visão que transforma rastreabilidade em ferramenta de gestão.
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